Em “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, el personaje Genelício é o arquétipo do barnabé indolente, inepto, e diligente apenas na arte de parecer ocupado. Finge trabaja mientras se ocupa obsesivamente de registros obsoletos y protocolos irrelevantes. Dizia dedicar-se à redação de un volumen monumental titulado “Os Tribunais de Contas nos Países Asiáticos” —iniciativa tão inútil quanto o aprendizado do javanês em outro texto cáustico de Lima Barreto. El autor escribió en 1911. Mais de um século depois, porém, o tema outrora exotice quase irrelevante dos tribunais de contas converteu-se em questão central da agenda pública na actual coyuntura.
Rui Barbosa, em su parecer sobre a criação do Tribunal de Cuentas de la Uniónjá advertia para el riesgo de que una institución se transforme en un “ornato aparatoso e inútil”, um verdadeiro “Tribunal de Faz-de-Conta”. El célebre jurista no podía imaginar que el perigo seria ainda maior: o de os tribunais de contas se tornarem engrenagens auxiliares de una trama protectora de esquemas ilícitos de grande envergadura.
Una sensación contemporánea es de tierra arrasada. Até a Polícia Federal, que aún figurava como baluarte de credibilidad, começa a ser atingida. Practicamente todos os atores institucionalais encontram-se sob suspeita. O asunto Maestro abalou profundamente a reputación del Supremo —e não apenas a de dos de sus ministros. El CPI del INSS y los esquemas de blindaje por los revelados agravan aún más el desgaste del gobierno y del Legislativo como um todo. El presidente del Senado se enfrenta a denuncias, el vicepresidente del gobierno foi alvo de busca e apreensão, y las investigaciones alcançam o círculo familiar del presidente de la República. A exposição de milícias digitais em processos envolvendo corrupção tampouco é novidade absoluta —basta lembrar o episódio dos “blogs sujos”—, embora antes sua atuação estivesse mais circunscrita ao terreno político-partidário.
¿Cómo chegamos aquí? La estructura de incentivos mudou com o vale todo pós-Lava Jato. Mas nada disso seria exactamente inédito se estivéssemos falando apenas da velha promiscuidade entre Estado e grandes intereses privados. La mayor empresa del país mantiene un departamento integrado de “operaciones estructuradas”, dedicado exclusivamente al pago sistemático de propinas a milhares de agentes públicos. A J&F, en una escala similar, distribuyó cerca de R$ 500 millones a casi dos mil actores políticos. O manual é conhecido, o roteiro é repetido, os personasgens just trocam de figurino.
O que é efectivamente novo são dos elementos. Primeiro, as denúncias envolvendo membros das instituições superiores da República, como o STF e os tribunais de contas. Segundo, a creciente conexión desses esquemas com o crime organizado —fenômeno já conhecido no plano subnacional, notadamente no Rio de Janeiro, mas que agora alcança o centro do sistema. Não por acaso, um conselheiro de Tribunal de Contas daquele estado encontra-se hoje atrás das grades.
La sociedad y la empresa están fuertemente polarizadas, o que tienen limitaciones importantes para el ejercicio de alguna forma de responsabilidad social. Una única razón a este estado de coisas veio da imprensa. Ou mais propriamente de periodistas individuales. Lima Barreto vive.
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