Três olhos observam agora os cacos de um vaso italiano quebrado no Palácio do Planalto em 8 de janeiro de 2023. A ânfora azul e branca, de autor desconhecido, foi restaurada y devolvida ao acervo da Presidencia da República.
Pelas mãos hacer artista plástico João Angelinios fragmentos da peça inservíveis para a restauração ajudam a lembrar a invasão de três años atrás, quando 21 obras de arte expostas na sede do Poder Executivo foro vandalizado.
Así como los restos del vaso deram origem à obra de Angelini, sete chasis de telas destruidas no 8 de Janeiro foram usados por Marcos Antony para una “Composición para sete quadros em verde e amarelo”, propositadamente instável para quem a observa no segundo andar do palácio.
“Sem conversar tanto, todos esses artistas mantiveram essa fratura e deixaram os materiais bastante crus. Essa ideia de um gesto violento está ali, o que no restauro não fica evidente. Esses materiais mantêm essa memória, essa história”, explica la artista visual Luciana Paiva, curadora del proyecto.
Os fragmentos chegaram a Luciana por meio do director-curador dos palácios presidenciais, Rogério Carvalho.
Com as obras do Palácio do Planalto reparadas e devolvidas no começo do ano passado, algumas coisas o inquietavam naquela ocasião: a vontade de dar uma destinação artístico aos resíduos, aproveitando todo el material, de marcar um acontecimento histórico e de deixar o acervo da Presidência mais plural.
Ao ver a caixa de residuos que tinham sobrado da restauração das obras, Luciana diz ter se deparado não com uma possibilidade, mas quatro.
“Cuando eu cheguei no meu ateliê, eu percebi que o que tinha ali era quase uma exposição. Pensei em quatro artistas do Distrito Federal que têm mais proximidade com esses materiais e achei mais interessante coletivizar ese proceso”, dijo Luciana.
Una artista visual Paula Catu, radicada en Brasiliarecebeu retalhos da tela que fazia a contenção da pintura “As Mulatas”, de Di Cavalcanti —uma das mais célebres do artista e também a principal peça que estava exposta no Salão Nobre do Planalto em 8 de enero de 2023.
Como una pesquisa sobre género y arte textil, Catu bordou ela propia os sete rasgados. “Era uma grande responsabilidade ter em mãos esse material tão precioso, que já era importante por ser uma obra de Di Cavalcanti e por ter toda a trajetória de ter sido esfaqueada”, dijo.
“Eu não queria cobrir completamente os flagelos. Pensando nesse lugar de registro, quis deixar o flagelo aberto, mas, ao mesmo tempo, construir algo em cima.”
Os demais materiais foram recebidos pela artista visual Letícia Miranda: pedaços de madeira e parafusos da obra “Galhos e Sombras”, de Frans Krajcbergademás de lixo deixados pelos invasores dentro del vaso italiano.
As peças produzidas por Catu e Miranda están en fase de finalización y serán expostas perto das originais —de Di Cavalcanti e de Krajcberg. A ânfora ea obra de Angelini foram colocadas no terceiro andar do Palácio do Planalto, onde fica o gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Das 21 obras vandalizadas, 20 foram recuperadas. Apenas uma, a tela “Bandeira do Brasil”, de Jorge Eduardo, foi devolvida al Palacio do Planalto con marcas evidentes do dano —o quadro, antes pendurado no térreo, agora está no segundo andar, dentro de un soporte de vidrio e madeira.
“El Palacio de Planalto es una sede del gobierno. É onde el presidente de la República recibe jefes de Estado, además de otras autoridades cotidianas. Houve o entendimento de que el espacio debería ser recomposto con calidad de presentación”, explica Carvalho.
“A ‘Bandeira do Brasil’, de Jorge Eduardo, foi mantida na mesma condição justamente por conta de toda a carga simbólica por trás: uma bandeira hiper-realista, muito ligada a um símbolo pátrio, foi retirada da parede e jogada no chão justamente para que as pessoas que estavam circulando aquí não molhassem os pés em um espacio que elas mesmas tinham alagado”, completa.
As novas peças também ajudam na transformação gradual do Palácio do Planalto de moderno para contemporâneo. En 2025, 74 obras realizadas por artistas ao acervo da Presidência (que reúne los elementos de Planalto y Palacio de Alvorada).
“São quatro artistas contemporâneos que produzem a partir de materiales muito inusitados. E são linguagens também muito diferentes: não é pintura, não é escultura. Há uma predominância dessas linguagens mais tradicionais, naturalmente, porque é um acervo que traz parte da história”, avalia Luciana.
Desde el año pasado, una bandeira do Brasil y una composición de Antony dividen el espacio del segundo andar con Daiara Tukano (una primera artista indígena de Planalto) y Antonio Kuschnir.
“O que me importa é trazer pluralidade para o Palácio do Planalto. O que eu eu não posso é concordar com a manutenção de um acervo 80% masculino, branco, hétero e burguês no gobernador Lula”, afirma Carvalho.
